Realizou-se, no último domingo, dia 26/8, conforme previsto no Edital de Abertura do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), a prova objetiva da Primeira Fase do processo seletivo, conhecida também, pelos candidatos mais antigos, como Teste de Pré-Seleção (TPS). Com 6 horas de duração, divididas em dois períodos de 3 horas, os CACDistas submeteram-se a teste não apenas de amplos conhecimentos, mas também de resistência mental e física[1].

Não houve grandes surpresas para aqueles que já conhecem bem o formato do CACD. O TPS apresentou o mesmo número de questões das mesmas disciplinas cobradas na edição do ano passado. Transmito, a seguir, minhas impressões gerais sobre o que caiu em cada disciplina:

Língua Portuguesa. Como sempre, é a disciplina mais desgastante. Apesar de haver menos questões de português do que de outras disciplinas, as 10 perguntas da prova vieram acompanhadas de nada menos do que 12 textos em 7 páginas. Para se ter uma ideia do que isso representa, as demais 24 questões da prova aplicada no período da manhã ocuparam apenas 8 páginas. Os textos foram recentes, em geral[2], e de complexidade média, porém exigiam extrema atenção para se evitarem erros nos detalhes. Por isso, sempre recomendo deixar as questões de Língua Portuguesa para o final, tendo em conta o desgaste que proporcionam.

Política Internacional. Outra vez, sem surpresas. Houve certo equilíbrio entre questões sobre temas multilaterais – como paz e segurança internacionais, comércio mundial e refugiados – e os bilaterais ou regionais, como América do Sul, Ásia, Europa e Oriente Médio. Das 12 questões, houve uma sobre Teoria das Relações Internacionais. Todos esses temas foram amplamente tratados nas aulas de nosso Curso Preparatório para o CACD do Gran Cursos Online.

Geografia. Ainda que essa disciplina assuste alguns candidatos, que se preocupam com a possível cobrança de conceitos geográficos, não houve motivo para pânico. A prova, com apenas 6 questões (menos de 10% do TPS), cobrou mais conteúdo interdisciplinar (com História e Política Internacional) do que geografia propriamente dita. Ou seja, os candidatos bem-preparados para o CACD em geral saíram-se bem em Geografia.

Direito. Prova bastante previsível. Metade das questões foram sobre Noções de Direito – e a resposta para quase todos os itens estava na Constituição Federal de 1988 – e a outra metade, Direito Internacional. Quem se deu ao trabalho de ler com atenção nossa Carta Magna e a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, duas das dicas que sempre dou em nossos artigos, resolveria ao menos 4 das 6 questões.

Língua Inglesa. Assim como Língua Portuguesa, que abriu a prova no período da manhã, as 9 questões de Inglês abriam a prova da tarde. Também foi longa e cansativa e exigia muita atenção aos detalhes. O nível de complexidade foi alto para a maioria. Considero a segunda disciplina mais difícil do CACD, e, no TPS de 2018, não foi diferente. Novamente, para quem for prestar o Concurso nos próximos anos, sugiro deixar essas questões para o final.

História do Brasil. Prova bem-elaborada e equilibrada. Foram 3 questões sobre o período colonial, 4 sobre o Império, uma e meia sobre a República Velha, uma e meia sobre o período da ditadura militar e uma referente a vários períodos históricos. Não se cobrou nada basicamente sobre o período pós-redemocratização.

História Mundial. Prova difícil que cobrou boa parte do extenso conteúdo programático da disciplina. Os CACDistas devem evitar a tentação de deixar História Mundial de lado porque não cai na Segunda nem Terceira Fases, diferentemente das demais matérias do TPS. Além de o peso na Primeira Fase ser relevante (11 questões em 73), seu estudo dá aos candidatos visão mais abrangente também de outras disciplinas.

Economia. Essa foi a grande surpresa (negativa para a maioria dos candidatos) introduzida no CACD de 2017 e mantida este ano. Economia costuma ser uma matéria relativamente fácil, pois, assim como nas provas de Direito, eram cobradas apenas noções básicas. No ano passado, no entanto, o conteúdo programático foi bastante estendido, o que dificultou a vida daqueles que não têm familiaridade com a matéria. Isso também se refletiu no TPS de 2018.

Aos CACDistas deste ano, boa sorte! Não esperem o anúncio do resultado final da Primeira Fase para começarem a estudar para a Segunda. O tempo atual é precioso. E, se você não conseguir aprovação, não se considere um(a) candidato(a) fraco(a), porque já ficou na prova inicial. Lembre-se de que o TPS é a grande peneira do CACD.

[1] As provas estão disponíveis no endereço http://www.cespe.unb.br/concursos/IRBR_18_DIPLOMACIA/

[2] Destaca-se como exceção o texto do Padre Antônio Vieira.

Prof.Jean Marcel Fernandes – Coordenador Científico

Jean MarcelNomeado Terceiro-Secretário na Carreira de Diplomata em 14/06/2000. Serviu na Embaixada do Brasil em Paris, entre 2001 e 2002. Concluiu o Curso de Formação do Instituto Rio Branco em julho de 2002. Lotado no Instituto Rio Branco, como Chefe da Secretaria, em julho de 2002. Serviu na Embaixada do Brasil em Buenos Aires – Setor Político, entre 2004 e 2007. Promovido a Segundo-Secretário em dezembro de 2004. Concluiu Mestrado em Diplomacia, pelo Instituto Rio Branco, em julho de 2005. Publicou o livro “A promoção da paz pelo Direito Internacional Humanitário”, Fabris Editor, Porto Alegre, em maio de 2006. Saiba +


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4 Comentários

  • Jurandir Ermani 5 de setembro de 2018

    Professor, em que consiste a Licença de Inverno?

  • Danilo Galvão 6 de setembro de 2018

    Bom dia.
    Desculpe, mas uma das questões de teorias das RI’s versava sobre construtivismo, e não me lembro de termos tido conteúdo específico para este grupo teóricos das RI’s.

  • daphne 12 de setembro de 2018

    Olá boa noite. Tenho uma dúvida que não tem necessáriamente a ver com o tópico deste post mas espero receber uma resposta mesmo assim. Recentemente me disseram que cursos técnicos atualmente estão tendo a mesma validade de curso superior, ou sendo reconhecido como tais, gostaria de saber se com apenas um curso técnico eu conseguiria realizar a prova para admissão à carreira diplomática ou realmente só cursos de graduação de faculdade? Acredito que só me formando em uma faculdade mas não custa perguntar. Agradeço também o trabalho deste blog pois realmente ajuda muito para quem interesse na carreira, muito bom o trabalho, parabéns.

  • Felipe 12 de setembro de 2018

    Ola professor, tenho uma duvida sobre o tempo minimo para promoções na carreira de diplomata, li sobre o tema aqui no blog em dois artigos:

    http://blog.vouserdiplomata.com/pode-um-diplomata-nunca-ir-para-o-exterior/

    http://blog.vouserdiplomata.com/atividades-diplomaticas-no-exterior-para-quem-trabalha-no-brasil/

    Minha duvida porem é a seguinte, são no minimo 2 anos no exterior para ser promovido de segundo para primeiro secretario, em seguida são necessários no minimo mais 5 anos para ser promovido a Conselheiro, ou os 2 anos entram na conta faltando assim apenas mais 3?

    Sendo assim tecnicamente, apesar de eu saber q isso é impossível, seriam necessários “apenas” 10 anos no exterior para se chegar a Ministro de Primeira Classe?

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