É meio estranho tratar desse tema durante o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Neste momento, você pode nem saber ainda se estará na Segunda Fase em 2018, porém creio que o que vou dizer servirá para reflexões mesmo após sua eventual aprovação no Concurso. Ou seja, são informações que servem para qualquer pessoa que se interesse pela diplomacia, seja já um(a) CACDista ou não.

Costumo dizer que a carreira diplomática é um sacerdócio. A analogia não tem nada a ver com celibato, mas com o nível de dedicação exigido. A necessidade de deslocamentos e adaptações constantes dificulta a convivência familiar, afasta amigos e dificulta planejamentos e compromissos de longo prazo.

Assim, muitos acabam deixando de lado sonhos simples como ter uma casa própria, desanimados com a ideia de ter de deixá-la para trás na remoção seguinte. Outros(as) reclamam que a esposa ou o marido, muitas vezes, tem dificuldade de acompanhá-los(as) ao exterior por conta de sua própria carreira e necessidade de permanência no Brasil.

Os obstáculos que um(a) diplomata necessita contornar para seguir na carreira são numerosos e constantes. Isso faz com que muitos questionem sua vocação. Não porque achem que não têm perfil para estar na carreira, mas porque sua profissão exige sacrifícios que não sabem se compensam a satisfação recebida pelo Itamaraty.

Além de toda dificuldade de ordem pessoal que enfrenta todo(a) diplomata, o próprio ingresso na carreira é um dos mais difíceis do serviço público, algo que você, que lê estas linhas, deve saber melhor do que eu, que vivi esse drama há 20 anos.

Portanto, o momento de questionar sua vocação é agora, antes de investir em sua preparação para o CACD tudo o que está disposto(a) a dar. Não que depois de aprovado(a) você deixará de fazê-lo. Como eu disse, esse questionamento vocacional irá acompanhá-lo(a) por toda a vida. Até hoje, em dias ou fases ruins, pergunto o que me levou a investir nesse sonho de representar o Brasil junto a outros países.

Posso afirmar, de meu ponto de vista, que o saldo continua bastante positivo. Tanto é assim, que não apenas continuo na carreira, como estimulo jovens a dedicarem-se aos estudos para fazerem o mesmo. Tenho o dever, porém, de falar do que é bom e do que nem é tanto nessa vida de sacerdote (ou de sacerdotisa).

Questione-se, avalie, com teus próprios valores e interesses, se essa vida te interessa. E se a resposta for sim, como até hoje se mantém para mim, lamento, mas o CACD, neste momento, e o Itamaraty, depois da aprovação, exigirão de você um esforço que poucos concursos e profissões exigem de seus candidatos e profissionais. É o preço que se paga pelo desejo de acordar de manhã (muitas vezes sem saber onde está, como já me aconteceu em períodos de viagens constantes) e começar um dia de trabalho imprevisível, completamente diferente, mas tão fascinante quanto o vivido ontem. Boa sorte!

Prof.Jean Marcel Fernandes – Coordenador Científico

Jean MarcelNomeado Terceiro-Secretário na Carreira de Diplomata em 14/06/2000. Serviu na Embaixada do Brasil em Paris, entre 2001 e 2002. Concluiu o Curso de Formação do Instituto Rio Branco em julho de 2002. Lotado no Instituto Rio Branco, como Chefe da Secretaria, em julho de 2002. Serviu na Embaixada do Brasil em Buenos Aires – Setor Político, entre 2004 e 2007. Promovido a Segundo-Secretário em dezembro de 2004. Concluiu Mestrado em Diplomacia, pelo Instituto Rio Branco, em julho de 2005. Publicou o livro “A promoção da paz pelo Direito Internacional Humanitário”, Fabris Editor, Porto Alegre, em maio de 2006. Saiba +


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1 Comentário

  • Danielle Fernandes 18 de setembro de 2018

    Ouvi um amigo dizer que diplomata não tem direito a aposentadoria. Isso é verdade? Como é o processo de contagem de tempo de serviço e contribuição? É igual ao do servidor público ou trabalhador da iniciativa privada?
    Gosto muito desses textos, embora não ache que a Diplomacia seja minha carreira ideal.

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