Semana passada, tratamos das diferenças entre a rotina de um diplomata que trabalha no Brasil e outro, no exterior. Vimos que, em geral, diz-se que a vida é melhor fora do país, pois há menos trabalho e a remuneração é superior (valor em dólares norte-americanos). Concluímos, no entanto, que a comparação é difícil, uma vez que são tarefas de naturezas distintas, além de o local de lotação na Secretaria de Estado (SERE) e o Posto no qual se serve – e o Setor em que se trabalha nesse Posto – influenciarem bastante na carga de atribuições a serem desempenhadas.

Hoje vamos avaliar somente o trabalho fora do Brasil, sob a ótica de uma afirmação polêmica: todo diplomata que representa seu país no exterior trabalha 24 horas por dia!

Não estou dizendo com essa frase que não existe horário de expediente de trabalho nas Embaixadas, Consulados, Missões e Escritórios. Cada uma dessas representações tem horário de funcionamento: normalmente, de segunda a sexta-feira, das 9 da manhã às 18 horas[1]. Até aí, nada muito diferente do que se faz em Brasília, onde os diplomatas chegam para trabalhar às 9h e saem às 19h, cumprindo duas horas de almoço.

Há, porém, uma diferença fundamental: enquanto na SERE nós diplomatas somos funcionários públicos como qualquer outro – ou seja, as funções públicas que exercemos limitam-se ao período em que estamos trabalhando no Itamaraty –; no exterior, somos representantes do Brasil, mesmo quando não estamos cumprindo expediente no Posto.

É por isso, por exemplo, que os Chefes de Postos moram em residências oficiais (patrimônio próprio ou alugadas pelo Estado brasileiro). Também, pelo mesmo motivo, qualquer diplomata acreditado junto a um governo estrangeiro tem imunidade diplomática todo o tempo, mesmo nos períodos de lazer.

Nenhum de nós, ao servir no exterior, pode alegar que não participará de algum compromisso oficial por ocorrer em fins de semana ou à noite, por exemplo. Aliás, esse tipo de atividade do chamado “terceiro expediente” (fora do horário comercial) é muito comum para os que servem em Embaixadas de maior atividade. Nesses casos, o Embaixador costuma oferecer coquetéis na Residência ou em Missões junto a organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, cujas reuniões multilaterais costumam ir até tarde da noite ou mesmo varar a madrugada.

Portanto, o comportamento de um diplomata no exterior deve ser condizente com as funções que desempenha. Se um representante nosso fora do Brasil envolve-se em uma briga em um bar após embriagar-se, por exemplo, esse fato poderá ganhar as manchetes dos jornais locais com menção ao fato de tratar-se de um diplomata brasileiro. Isso, obviamente, afetará a boa imagem do país naquele local. Afinal, mesmo dormindo, os diplomatas no exterior não tiram o chapéu que levam do Brasil em nosso nome.

[1] A flexibilidade desse horário depende de cada Chefe de Posto, mas em geral não escapa muito disso.

Prof.Jean Marcel Fernandes – Coordenador Científico

Jean MarcelNomeado Terceiro-Secretário na Carreira de Diplomata em 14/06/2000. Serviu na Embaixada do Brasil em Paris, entre 2001 e 2002. Concluiu o Curso de Formação do Instituto Rio Branco em julho de 2002. Lotado no Instituto Rio Branco, como Chefe da Secretaria, em julho de 2002. Serviu na Embaixada do Brasil em Buenos Aires – Setor Político, entre 2004 e 2007. Promovido a Segundo-Secretário em dezembro de 2004. Concluiu Mestrado em Diplomacia, pelo Instituto Rio Branco, em julho de 2005. Publicou o livro “A promoção da paz pelo Direito Internacional Humanitário”, Fabris Editor, Porto Alegre, em maio de 2006. Saiba +


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1 Comentário

  • Juliano 30 de agosto de 2018

    Jean, duas dúvida. Se o funcionamento de uma Embaixada é, em regra, 9 da manhã às 18, existe um revezamento entre os Diplomatas para horários de almoço?
    E existem algum setor específico onde seja possível cumprir 7 horas corridas de jornada?

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