Existem diferenças significativas no trabalho realizado pelos diplomatas no Brasil e no exterior. Em linhas gerais, quando estão fora do país, trabalham menos e ganham mais. Ou seja, apenas com essa informação, pode parecer que é sempre mais agradável e fácil optar por lotações em Embaixadas, Consulados, Missões junto a Organismos Internacionais e Escritórios de Representação[1]. Na prática, no entanto, a teoria é outra. Além disso, as generalizações costumam levar a erros de avaliação. É preciso ver caso a caso, por diversas razões.

Primeiramente, a permanência em cada Posto e o tempo total que se pode ficar no exterior são limitados. De acordo com o Regime Jurídico dos Servidores do Serviço Exterior Brasileiro (Lei n. 11.440, de 29 de dezembro de 2006), os diplomatas das três classes de Secretário não podem ultrapassar o prazo máximo de 10 anos fora do Brasil, ainda assim se tiverem servido ao menos em um Posto C ou D[2]. Ministros e Embaixadores também estão limitados a esse mesmo período, mas em cada Posto podem ficar até 5 anos, enquanto os Secretários não podem ultrapassar 3 anos em Postos A e B e 4 anos nos de categoria C e D[3].

Em segundo lugar, a quantidade de trabalho que cada diplomata tem de realizar no exterior depende do Posto, de sua lotação e das circunstâncias do momento político daquele país. Em geral, os Postos maiores têm mais trabalho, pois estão em países ou representações junto a organismos com os quais o Brasil mantém intensas relações. Em contrapartida, esses mesmos Postos costumam ter lotação maior (mais diplomatas trabalhando e, portanto, mais divididos os temas de cada um). E quando há eventos esporádicos em determinado Estado (troca de Governo, por exemplo, ou visitas de altas autoridades brasileiras ao país), o trabalho aumenta significativamente[4].

Finalmente, ter menos trabalho não significa mais qualidade de vida. Em muitos países cujas relações com o Brasil são menos intensas, os diplomatas brasileiros acompanham poucos temas de interesse de nosso país e, com isso, são menos demandados do que os que vivem na Europa Ocidental, na América do Sul ou nos Estados Unidos, por exemplo. No entanto, o baixo nível de desenvolvimento de alguns países traz sacrifícios a esses diplomatas e, em especial, a suas famílias[5].

Conclui-se, pois, que não dá para comparar laranjas com bananas e dizer qual tem o melhor custo-benefício ou é mais gostosa. São frutas distintas e cada uma tem seu valor singular. O mesmo vale para o trabalho diplomático (ou consular), no Brasil ou no exterior. Na verdade, a maior parte das carreiras mesclam períodos aqui e lá. O mais aconselhável é tentar viver o melhor de cada momento, já que, como sabemos, costuma passar rapidamente, porque a carreira diplomática é marcada por constantes movimentações[6].

[1] Como alguns poucos postos, como nossas representações em Taiwan e Palestina, não podem ser enquadrados na categoria de Embaixada, são denominados Escritórios de Representação.

[2] Cf, art. 44, § 1o.

[3] O prazo de permanência regular em Postos C e D é de 2 anos, mas pode ser prorrogado, a cada 6 meses, caso haja interesses do Chefe do Posto e do diplomata afetado, desde que não se ultrapasse o período máximo de 4 anos.

[4] O mesmo raciocínio vale para o trabalho na Secretaria de Estado em Brasília, pois quando o Presidente da República viaja ao exterior, por exemplo, todos os diplomatas lotados nas áreas que se ocupam da visita (Cerimonial, Assessoria de Imprensa, divisões políticas e econômicas que acompanham o país visitado etc.) têm suas tarefas incrementadas.

[5] Sobre esse tema, sugere-se a leitura do artigo http://blog.vouserdiplomata.com/vida-da-familia-dos-diplomatas-no-exterior/

[6] Cf. http://blog.vouserdiplomata.com/a-dinamica-de-ida-e-volta-de-diplomatas-ao-exterior/

Prof.Jean Marcel Fernandes – Coordenador Científico

Jean MarcelNomeado Terceiro-Secretário na Carreira de Diplomata em 14/06/2000. Serviu na Embaixada do Brasil em Paris, entre 2001 e 2002. Concluiu o Curso de Formação do Instituto Rio Branco em julho de 2002. Lotado no Instituto Rio Branco, como Chefe da Secretaria, em julho de 2002. Serviu na Embaixada do Brasil em Buenos Aires – Setor Político, entre 2004 e 2007. Promovido a Segundo-Secretário em dezembro de 2004. Concluiu Mestrado em Diplomacia, pelo Instituto Rio Branco, em julho de 2005. Publicou o livro “A promoção da paz pelo Direito Internacional Humanitário”, Fabris Editor, Porto Alegre, em maio de 2006. Saiba +


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