O segundo maior desafio do CACD é conquistar o domínio das próprias emoções. Claro que o primeiro é estudar muito, mas vamos combinar que, com o pouco tempo que resta para o início da maratona, não adianta agora querer iniciar uma rotina de exercícios. Seria como um atleta que começasse hoje a se preparar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Nesse caso, o melhor, talvez, seria pensar nas Olimpíadas de Tóquio, de 2020. Vamos, porém, deixar para tratar disso mais adiante. Antes, quero dirigir-me àqueles que se dedicaram e acham que têm chance para este ano.

Deixemos a sorte de lado. Todos precisamos dela, evidentemente, porque ninguém sabe tudo (se soubesse, não necessitaria, pois, qualquer questão seria fácil). É possível, então, ajudar o bom destino?

Imagine a seguinte situação: você chega com alto grau de estresse do trabalho e seu marido, esposa ou mãe vem tirar satisfações por conta da toalha molhada deixada sobre a cama pela manhã. Em um dia normal, você não daria muita bola para isso, afinal, já se acostumou. Mas, naquele momento, não dá conta e “solta os cachorros” em cima de seu parente. Diz coisas horríveis e recorda fatos de “mil novecentos e bolinha” para ofender seu agressor. O troco não é menor, o clima esquenta e você arruma as malas e sai de casa.

A imagem é exagerada, no entanto, poderia acontecer com qualquer pessoa que se deixasse levar pelas emoções. E é exatamente aí que pode, e normalmente está, a grande diferença entre dois candidatos em um concurso público.

Quem mantiver a calma não vai jogar um casamento fora ou sair de casa por causa de uma toalha molhada sobre a cama. Os que se controlam saberão expor seus conhecimentos melhor do que os que estudaram mais, porém, ficaram nervosos.

Fácil falar, difícil fazer? Nem tanto! Basta um pouco de observação. Exemplo: adoro ir ao cinema, mas não gosto de dançar. Logo, curtirei bastante e sairei relaxado de um fim de semana em que assisti à estreia de um filme muito esperado com um baita pacote de pipoca com manteiga sobre o colo. Minha segunda-feira será bem mais leve. Mas, se no sábado tiver de ir a uma balada com música no último volume, coitados de meus colegas de trabalho dois dias depois…

Este é o momento, portanto, de cuidar da mente. Se você é do tipo que se sente mais seguro aumentando a carga horária de estudos, enfia a cara nos livros e faça apenas os devidos intervalos para alimentação saudável e sono nos períodos adequados. Se acha que vai ficar mais ansioso ao perceber que sabe menos do que gostaria, é isso mesmo, não haverá tempo para aprender muito mais agora. Então, procure relaxar fazendo o que gosta e frequente menos os livros. Pelo menos, você estará mais tranquilo para mostrar bem o que já sabe no dia da prova.

Eis a melhor maneira, creio, de lidar com esse período de reta final. As aulas do Gran Cursos Online ajudam bastante a fazer essa revisão leve de última hora. Ouvir jovens professores, a maioria recentemente aprovada nesse mesmo concurso, com o recurso de controlar – nos dedos – o momento, o local e o ritmo em que vai assistir às aulas. Isso é um luxo que está à disposição de todos, a custo bastante razoável.

Foi-se a época, felizmente, da necessidade de viajar ao Rio de Janeiro para se preparar para o CACD (os poucos professores que preparavam candidatos para o concurso moravam lá). Hoje, essa viagem tornou-se bem mais em conta, sem precisar sair de casa, basta um PC (Personal Computer), tablet ou smartphone (não entendo essa mania que temos de usar palavras em inglês!).

Prometi que também falaria aos atletas de 2020. Tenho uma excelente notícia: não é preciso esperar até lá. Você que deseja ser diplomata precisa se preparar para ser um maratonista, não um velocista dos 100 metros rasos. Isso quer dizer que se você não for aprovado em 2016, no ano que vem e nos seguintes, certamente haverá um novo CACD similar ao que já prestou. Ou seja, seus estudos atuais te permitirão largar bem adiantado nesta corrida. Posso afirmar isso com bastante segurança, pois é assim que funciona desde 1945, ano de fundação do Instituto Rio Branco, instituição que prepara os diplomatas recém-aprovados no concurso.

Use isso a seu favor! Busque a tranquilidade no médio e longo prazos. Até porque, saiba que a carreira é longa (normalmente em torno de 40 anos). Por coincidência (ou não para aqueles que não acreditam nisso), a distância oficial de uma maratona é 42,195 km. Se você decidiu completar esse percurso e quer chegar entre os primeiros corredores, não vai querer gastar todo seu fôlego nas primeiras curvas, certo?

Jean-MarcelJean Marcel  é Conselheiro no Ministério das Relações Exteriores. Nomeado em 14/07/2000. Serviu na Embaixada do Brasil em Paris, entre 2001 e 2002. Concluiu o Curso de Formação do Instituto Rio Branco, em julho de 2002. Lotado no Instituto Rio Branco como Chefe da Secretaria, em julho de 2002. Serviu na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, Setor Político, entre 2004 e 2007. Promovido a Segundo Secretário, em dezembro de 2004. Concluiu Mestrado em Diplomacia, Instituto Rio Branco, em julho de 2005. Publicou o livro “A promoção da paz pelo Direito Internacional Humanitário”, Fabris Editor, Porto Alegre, em maio de 2006. Promovido a Primeiro Secretário, em junho de 2006. Concluiu o Curso de Aperfeiçoamento em Diplomacia do Instituto Rio Branco, em março de 2007. Concluiu o Curso de Doutorado em Direito Internacional pela Universidade de Buenos Aires, Argentina, em julho de 2007. Serviu na Embaixada do Brasil em Washington, Setores Econômico e de Promoção Comercial (Chefe), entre 2007 e 2010. Publicou o livro “La Corte Penal Internacional. Soberanía versus justicia universal”, Editoriales Reus/Zavalía/Temis/UBIJUS, Madrid/Buenos Aires/Bogotá/México, D.F., em novembro de 2008. Condecorado com a Ordem do Rio Branco, Grau de Oficial, em abril de 2010. Assessor do Embaixador Antonio Patriota, na Secretaria-Geral das Relações Exteriores, em junho de 2010. Chefe da Divisão de Operações de Promoção Comercial (MRE), desde agosto de 2011. Diretor do Departamento de Financiamento e Promoção de Investimentos no Turismo (DFPIT – Ministério do Turismo), 2013-2014. Chefe da Divisão de Operações de Promoção Comercial (MRE), atualmente. A Divisão de Operações de Promoção Comercial do Itamaraty é responsável pela promoção de exportações brasileiras e promoção do turismo estrangeiro no Brasil. Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).

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